Comunicação Digital

A internet horizontaliza o conhecimento? Até onde isso é bom para a sociedade?

Não pretendo entregar respostas com este artigo, mas, tão somente, fazer algumas perguntas que me ocorreram recentemente. Uma das delas, que acho vital, é esta: a internet horizontaliza o conhecimento humano? E até onde isso, essa possível horizontalização, é saudável e qual é a linha que determina que isso pode ser prejudicial para a construção de novos conhecimentos díspares?

Ok, haverá quem diga que a internet pavimenta caminhos para que o conhecimento (dito aqui de modo geral) possa fluir para todos que tenham acesso à ela. Muitos, hoje, dizem, inclusive, que a internet é um item fundamental (tanto quanto a água) e que deve ter acesso garantido para todos os habitantes do planeta. Mas, a questão que proponho não está no campo do acesso e disseminação do conhecimento. Proponho olhar para outro nível, o do que, pressuposto o acesso universal, até que ponto o acesso ao conteúdo é benéfico?

Entenda, não estou questionando o valor do acesso ao conteúdo. Precisamente, pergunto: se todo mundo acessa os mesmos conteúdos, onde isso vai dar?

Hoje temos três formas de se chegar a conteúdos jornalísticos na web, por exemplo, ou 1) pesquisamos no Google e chegamos ao site que nos dará respostas (boas ou más) para nossas questões, ou 2) encontramos esse conteúdo já filtrado e compartilhados em redes sociais (incluindo e-mail e aplicativos de notícias, como Flipboard) por nossos amigos ou páginas que seguimos ou, ainda, 3) digitamos a URL  do site de interesse e chegamos ao que nos interessa.

Os dois primeiros modos de acesso (vamos chamá-los assim) possuem características de filtros de conteúdo, baseados em algorítmos que analisam, dentro outras coisas, seu histórico de navegação, os conteúdos que pesquisou anteriormente, as páginas curtiu ou segue em redes sociais e até mesmo os conteúdos (com posições políticas ou não) que o usuário postou, para entregar o “melhor” conteúdo para cada usuário.

Parece, baseado no parágrafo a cima, que haverá conteúdos diferentes para cada pessoa. A rigor isso pode ser verdade, mas, se olharmos com uma lupa sobre a questão, vamos ver que essa verdade não é tão verdadeira assim. E isso é o preocupante.

Em uma época onde há cada vez mais conteúdos disponíveis na internet (e isso ajuda na criação de nichos ou no esterminio dos mesmos com a “pasteurização de tudo”), é real a preocupação sobre quais “conteúdos de qualidade estamos” tendo acesso. De modo geral, como penso (espero que entenda que esses pensamentos ainda carecem de pesquisa aprofundada e estão aqui apenas a titulo de inquietações), os algoritmos e as pessoas que seguimos tendem a entregar “o melhor conteúdo possivel” para nós. E esse “melhor conteúdo”, como pode acontecer, pode não ser o que queremos, mas o que teremos acesso, uma vez que mediadores, atores, entederão que esse é o melhor para que tenhamos diante de nossas olhos e ouvidos… E atores influenciam atores, criando uma bola de neve que, fatalmente, acaba por gerar uma reação em cadeia que vai eleger um conteúdo predominente.

Talvez essa inquietação se mostre falsa, se for profundamente pesquisada, mas, me parece ( e é só isso mesmo) – portanto, nada significativo) que a neutralidade da rede, importante para que o acesso ao conteúdo seja livre, é parcialmente “não neutra”, uma vez que atores estão elegendo e separando conteúdos “relevantes” de outros conteúdos “não tão relevantes” para nós.

Me parece, olhando para este esquema, que, então, há uma horizontalização do conteúdo que temos acesso. Isso faz com que passemos, cada vez mais, a pensar de formas cada vez mais iguaIs? Digo isso, pois acredito que o conteúdo que temos acesso, mesmo com olhar crítico (item raro em minhas timelines, algumas vezes) nos molda e, ao mesmo tempo, nos faz “reagir”.

Explico melhor: tal qual um vídeo viral, que rapidamente todo mundo quer copiar, como foi o “desáfio do balde gelo”, o conteúdo faz todos olharem para um certo lugar comum. Isso, repito, pode ser terrível para a sociedade?

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Comunicação Digital

SIMSOCIAL 2012

A segunda edição do SIMSOCIAL – Simpósio de Pesquisa em Tecnologias Digitais e Sociabilidade, que nesse ano acontecerá nos dias 10 e 11 de outubro em Salvador (BA),promovido pelo Grupo de Pesquisa em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade (GITS), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal da Bahia (PósCom-UFBA), pretende agregar pesquisadores, professores e estudantes universitários, além de profissionais de instituições relacionadas ao campo da Cibercultura sob  o tema “Práticas Interacionais em Rede”.

A programação do evento prevê a realização de conferências e apresentação de comunicações em cinco núcleos temáticos: Sociabilidade, novas tecnologias e práticas interacionais (NT 1); Sociabilidade, novas tecnologias, consumo e estratégias de mercado (NT 2); Sociabilidade, novas tecnologias, política e ativismo (NT 3); Sociabilidade, novas tecnologias, educação e aspectos cognitivos (NT 4); Sociabilidade, novas tecnologias e práticas colaborativas de produção de conteúdo (NT 5).

Acompanhe também mais informações do SIMSOCIAL pelo Twitter do Gits (@gitsufba) e pela página do evento no Facebook.

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Comunicação Digital, Redes Sociais, Sociabilidade

Como o compartilhamento constrói diferenças que mobilizam

No continente Africano existe uma palavra muito difundida e também muito interessaste: “Ubuntu“.   Não, não estou aqui fazendo apologia ao OS Linux que, por sinal, é muito bom, também! :)

Ubuntu significa o mesmo que compartilharEnfim, na verdade e simplificando as coisas, Ubuntu significa, de um modo romântico, “a arte de compartilhar”. Mas não é só isso. O Ubuntu vai além de “ofertar” algo, é antes um pendulo de leve e traz “coisas” em espaços dinâmicos entres actantes diferentes e detentores de informações diferentes que provocam reações. Ubuntu é a arte de transformar diferenças em outras diferenças ou de fazer uma diferença fazer diferença. “Capito?”

Para efeitos metodológicos, neste post vamos utilizar “Ubuntu” no contexto de informação.

A motivação de escrever esta postagem partiu do texto “Malabarista“do Professor Dr. André Lemos, no qual afirma que

O espaco é produzido pela troca de lugar das coisas, sendo uma das dimensões a do tempo, que o cria. Trocar os móveis da sala de lugar e assim “criar espaços”. O espaço é o que se produz da relações entre as coisas e os seus respectivos lugares. Não é aquilo que contém as coisas. O espaço é movimento e não o estático reservatório. O espaço é uma rede, dinâmica, sempre se fazendo, produzido por relações no tempo e no movimento. Diz Heidegger: “Une espace (Raum) est quelque chose qui est ‘menagé’ (…) il est menagé par des lieux…” (Essais et conférences, Gallimard, 1958, p. 186). Continue reading

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