Google Plus: uma nova tentativa de dominar o mundo a partir dos dados de interações nas redes sociais

As mídias sociais são lugares onde as pessoas criam ou mantém suas redes sociais. Essa é a  visão primária, talvez a visão do usuário. Mas, como provou o Facebook, as mídias sociais podem servir para muito mais. Os dados de interações entre redes sociais em uma mídias social podem ser usados, por ela própria, a mídia, como fontes de dados para segmentação e venda de publicidade.

É bom lembrar que o Facebook faz isso em tempo real. Por exemplo,  se o usuário publica em seu mural a palavra “Nike” a ferramenta vai colocar propagandas para esta palavra-chave.

Quanto mais dados e mais detalhados eles são, mais se pode segmentar uma publicidade e mais cliques e visualizações vender, além do melhor que é satisfazer o cliente. E é isto que o Google busca com seu Google Mais: vender mais e melhor.

Todavia, isso não será feito apenas com a mídia social, o Google mudou a forma como seu buscador encontra sites na internet para algo mais social. Para tanto, criou o botão “+1” – que se pode dizer, é uma cópia do bem sucedido “Like” do Facebook – onde o usuário “aciona” este botão quando gostar (ou não) de um determinado conteúdo, página ou site, enfim. Os conteúdos que mais tiverem “+1” estarão no topo da página de buscas do Google, além, é claro, de que os conteúdos compartilhados por seus amigos estarão à frente da página quando você for fazer uma pesquisa. Ou seja, o Google caminha para fazer com que cada busca em seu portal seja diferente das demais – isso, é claro, quando o usuário estiver logado com uma conta Google.

Por outro lado, o Facebook não quer que seu usuário saia do site para fazer uma busca, por exemplo, no Google – não me surpreenderia se o Facebook começasse a indexar sites dentro da mídia social, ou lançasse um buscador próprio ou até comprasse o Bing da Microsoft. Enfim, Facebook, também, é um dos defensores da chamada “busca social”. Isso implica, evidentemente, na adoção de um modelo já observado dentro das mídias sociais, o usuário como produtor de conteúdos e ativo na sua rede.

Academicamente podemos dizer que este é mais um estágio da liberação do pólo emissor (LEMOS, 2005), dessa vez aplicada ao campo das buscas de conteúdo.

As diversas manifestações socioculturais contemporâneas mostram que o que está em jogo com o excesso e a circulação virótica de informação nada mais é do que a emergência de vozes e discursos, anteriormente reprimidos pela edição da informação pelos mass media. (LEMOS, 2005).

Todos querem ser donos dos dados compartilhados pelos “novos produtores” de conteúdos!

E esse novo sistema de buscas baseado no social e, consequente, na liberação do pólo emissor significa uma nova dualidade baseada no remix de dados “livres”, compartilhados livremente pelas pessoas, onde as empresas os compilam para serem usados dentro de sua estrutura privada, copyright, para beneficiar à si com a melhor segmentação de propaganda pelo interesse naquele momento do usuário. É uma nova guerra pelo ouro no Velho Oeste!

O bom da coisa – Nessa Guerra entre Google e Facebook, aparentemente (digo isso pois a “busca social ainda está engatinhando), todos podem se beneficiar! Desde as ferramentas, passando pelo anunciante e chegando ao consumidor final, a campo das buscas sociais devem ser o futuro para todos!

A pergunta que fica: quem vai vencer este duelo? Google Plus? Facebook? Ou será que pode surgir outro player com bala na agulha para superar o primeiro? Quem?

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Referências:

LEMOS, André; Cibercultura Remix. in, Seminário “Sentidos e Processos”. No prelo, São Paulo, Itaú Cultural, agosto de 2005.